Toda empresa que faz entrega chega nessa dúvida: contrato um motoboy ou terceirizo? E quase sempre a comparação é feita errado — coloca-se o salário de um lado e o preço da corrida do outro, como se fossem grandezas equivalentes.
Não são. Este artigo mostra a conta completa, sem número inventado: os componentes são estes, os valores são os seus.
O custo que aparece na folha
A parte fácil, que todo mundo lembra:
- Salário base da função;
- Encargos sobre a folha (INSS patronal, FGTS, sistema S, conforme o enquadramento da empresa);
- 13º salário;
- Férias mais o terço constitucional;
- Vale-transporte, vale-refeição ou alimentação, conforme convenção da categoria;
- Provisão de rescisão — que existe desde o primeiro mês, mesmo que só apareça no último.
Só essa lista já costuma somar bem mais que o salário nominal. Mas ela ainda é a parte pequena do problema.
O custo que não aparece na folha
Se a moto é da empresa:
- Aquisição ou depreciação do veículo;
- Combustível — o item que mais varia e o que menos entra na planilha inicial;
- Manutenção preventiva e corretiva: óleo, relação, freio, pneu. Moto de trabalho roda muito mais que moto particular;
- Seguro, IPVA e licenciamento;
- Equipamento: baú, capacete, capa de chuva, luva, colete;
- Celular e plano de dados, se o rastreio e a comprovação passam por ele.
Se a moto é do funcionário, some o valor de reembolso ou ajuda de custo combinado — e some também o risco de a operação parar quando aquela moto específica quebrar.
O custo invisível: ociosidade e cobertura
Aqui está a diferença que decide a maioria dos casos.
Moto parada custa igual. Se a sua demanda se concentra em duas horas do dia, você paga o dia inteiro por duas horas de uso. Terceirizado, você paga as duas horas.
Falta, atestado e férias não são exceção, são calendário. São 30 dias de férias por ano, mais feriados, mais o dia da consulta médica, mais o imprevisto. Nesses dias a demanda não desaparece — ela vira corrida avulsa de emergência, contratada em cima da hora, no valor mais caro que existe.
A pergunta certa não é "quanto custa um motoboy". É "quanto custa a minha entrega feita" — todo mês, inclusive nos dias em que o motoboy não está.
Como fazer a conta em dez minutos
- Levante o volume real. Quantas corridas sua empresa fez nos últimos três meses? Média mensal, não a estimativa otimista.
- Some o custo mensal total do modelo próprio — folha, encargos, provisões, moto, combustível, manutenção, seguro, equipamento.
- Divida um pelo outro. Esse é o seu custo por corrida hoje.
- Compare com um orçamento real de terceirizado para o mesmo volume — avulso e plano mensal.
- Acrescente o que a planilha esconde: o custo das coberturas de emergência dos últimos três meses.
Se você nunca fez essa divisão, o resultado costuma surpreender. É a conta que a maioria das empresas descobre tarde.
O que a terceirização resolve além do preço
- Nota fiscal e despesa dedutível, com contrato entre empresas;
- Sem passivo trabalhista e sem gestão de folha para uma função que não é o núcleo do seu negócio;
- Cobertura garantida — férias e falta são problema do prestador, não seu;
- Escala nos dois sentidos: pico de fim de mês absorvido, mês fraco não pesa;
- Comprovação padronizada — foto, horário e nome de quem recebeu em toda entrega, como na coleta qualificada.
Quando ter motoboy próprio compensa mesmo
Não vamos fingir que terceirizar é sempre melhor. Equipe própria faz sentido quando:
- O volume é alto e constante o dia inteiro — a moto não fica parada em hora nenhuma;
- A operação exige exclusividade real, com o profissional dentro da sua rotina e do seu sistema;
- O item transportado exige treinamento interno específico ou habilitação que só a sua empresa tem.
Se o seu caso é esse, ter próprio é a decisão certa — e ainda assim vale ter um terceirizado de retaguarda para os dias de cobertura.
O modelo do meio, que resolve a maioria
Entre "contratar um funcionário" e "pedir corrida avulsa" existe o plano mensal: rota fixa, horário definido, valor fechado no mês. Você ganha a previsibilidade do próprio sem a folha, e o financeiro passa a ter uma linha só em vez de trinta lançamentos.
Quer fazer essa conta com números reais?
Manda o volume mensal e a região das entregas. A gente devolve o comparativo com o seu cenário.
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Perguntas frequentes
Terceirizar motoboy gera vínculo trabalhista?
Não, quando a contratação é feita com empresa de CNPJ ativo que presta o serviço com meios próprios, emite nota fiscal e não fica subordinada à rotina interna do contratante. O contrato é entre empresas, e o profissional é vinculado à prestadora. Se a sua empresa tem dúvida sobre o caso concreto, vale uma conferida com o contador ou o jurídico.
Qual volume justifica ter motoboy próprio?
Não existe número universal, e desconfie de quem dá um. O que existe é a conta deste artigo: custo mensal total dividido pelo número real de corridas. Se o resultado por corrida ficar acima do orçamento terceirizado, o próprio está caro para o seu volume.
E se eu precisar de alguém disponível o dia inteiro?
Aí o modelo certo é o plano mensal com rota fixa, não a corrida avulsa. Você tem previsibilidade de horário e um valor fechado, sem folha de pagamento nem moto parada no seu custo.
Quem cobre férias, falta e atestado do motoboy próprio?
Essa é a linha que quase toda planilha esquece. Com equipe própria, a cobertura é problema da empresa — e quase sempre resolvida com uma corrida terceirizada de emergência, mais cara que a contratada com antecedência. Com serviço terceirizado, a cobertura é obrigação do prestador.
Vocês emitem nota fiscal e atendem por contrato?
Sim. CNPJ 46.178.859/0001-96, nota fiscal para empresas e planos mensais com escopo definido em contrato.